Alunos da rede municipal de Irecê ganham destaque internacional com projeto sobre descarte de pilhas e baterias

Secretaria Municipal de Educação
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Estudantes da Escola Municipal Professora Maria das Graças Alves Costa, em Irecê, conquistaram reconhecimento internacional ao participarem do CONNECT Project – Increasing Science Aspirations, iniciativa financiada pela União Europeia por meio do programa Horizon 2020. O projeto, que envolve escolas, cientistas e famílias em ações voltadas à ciência e sustentabilidade, destacou o trabalho desenvolvido pelos alunos como uma das boas práticas de educação aberta no mundo.

 

Com o tema “O Devorador de Pilhas: um rover que limpa o meio ambiente”, o projeto propôs uma reflexão profunda sobre o descarte inadequado de pilhas e baterias no Sertão. A iniciativa foi realizada entre setembro de 2024 e setembro de 2025, com orientação do professor de Ciências Anderson Duarte Vilas Boas, apoio da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e da Universidade Aberta, envolvendo 760 estudantes de 14 a 16 anos da rede municipal de Irecê, além de professores e parceiros locais.

 

Segundo o CONNECT Project, o trabalho transformou o ensino de ciências em uma verdadeira ação de cidadania e sustentabilidade, ao conectar a aprendizagem escolar com os desafios reais da comunidade.

 

A proposta seguiu a metodologia “Cuidar–Saber–Fazer”, desenvolvida pela pesquisadora Okada (UNEB), que estimula os alunos a observar, compreender e agir diante dos problemas do seu território.

 

Na etapa do “Cuidar”, os estudantes observaram o entorno da escola e identificaram a presença de pilhas descartadas de forma incorreta. A partir daí, começaram a investigar os riscos ambientais e à saúde provocados pelos metais pesados presentes nesses materiais.

 

Na fase do “Saber”, as aulas de ciências se transformaram em laboratórios vivos. As alunas aprenderam sobre a composição química das pilhas, pesquisaram legislações ambientais e descobriram que muitas marcas vendidas na região não atendiam às normas brasileiras de segurança. O estudo revelou ainda que Irecê não contava, até então, com um sistema estruturado de coleta de pilhas e baterias.

 

E foi justamente esse diagnóstico que levou à etapa “Fazer”: a criação dos “Papa Pilhas”, protótipos de coletores produzidos com materiais reciclados, que passaram a ser instalados em pontos estratégicos da cidade. A ação contou com o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da OAB – Subseção Irecê, garantindo o destino correto dos resíduos.

 

A mobilização das estudantes não parou por aí. O projeto ganhou destaque na Feira Municipal de Ciências, recebeu convites de outras escolas para replicar a iniciativa e gerou um resultado histórico: a criação de uma proposta de Lei Municipal que estabelece diretrizes para coleta e descarte adequado de pilhas e baterias por instituições públicas e privadas.

 

Além do impacto ambiental e político, o trabalho também promoveu o desenvolvimento de competências socioemocionais e científicas. As alunas aprenderam a realizar pesquisas de campo, liderar campanhas e dialogar com autoridades locais.

 

“Percebemos que podíamos fazer algo concreto para proteger o nosso ambiente não apenas falar sobre isso em sala de aula”, relataram os estudantes em depoimento ao CONNECT Project.

 

Hoje, os coletores “Papa Pilhas” continuam ativos na cidade, simbolizando o protagonismo jovem e a força transformadora da educação pública de Irecê. A experiência bem-sucedida inspirou a expansão do projeto, que agora será levada a outras escolas da rede municipal, com o apoio da Secretaria de Educação e da UNEB.

 

O resultado coloca Irecê no mapa global da educação científica e sustentável, destacando o papel do município como referência em inovação pedagógica no semiárido baiano. Para a secretária de Educação, Andreia Rodrigues, o destaque alcançado pelas alunas demonstra a potência da educação pública municipal.

 

“O projeto mostra que a escola é um espaço de transformação real. Quando o aprendizado se conecta com a vida e o território, os estudantes se tornam agentes de mudança. E isso é o que mais nos orgulha”, afirmou.

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